|
UPGRADE Atenção a
aspectos básicos ajuda a evitar gastos
desnecessários Cuidados na hora
de trocar hardware e software do PC
NÍVEA ATALLAH
Perceber que é hora de fazer um upgrade no
computador não é uma tarefa tão difícil. Basta notar sinais como
travamentos, lentidão ao rodar aplicativos simples e
incompatibilidade com programas e periféricos. A parte complicada é
avaliar se a atualização é mesmo necessária e, neste caso, saber
como realizar as mudanças sem exagerar nos gastos.
Uma das
principais questões do upgrade diz respeito à necessidade de se
trocar o sistema operacional ou o pacote de aplicativos a cada nova
versão lançada. A chegada do Office System, há duas semanas, é um
bom exemplo de que a decisão correta depende de uma avaliação
cuidadosa de uma série de fatores.
Além da questão
financeira, que em muitos casos é a mais determinante, a realização
do upgrade no caso do software envolve diversos critérios. Um
detalhe importante, mas que freqüentemente passa despercebido, é a
possibilidade de o sistema ou aplicativo simplesmente não funcionar,
caso a máquina seja antiga.
O Office System, por exemplo,
pode rodar em um Pentium com clock de 133 MHz, mas a própria
Microsoft recomenda, no mínimo, um Pentium III. Além disso, o
funcionamento depende do que a pessoa pretende rodar simultaneamente
na máquina, o que determina a quantidade de memória
necessária.
Os usuários devem levar em conta que é uma
tendência natural do mercado lançar programas casa vez mais pesados
e um upgrade de software para uma versão muito mais moderna é na
certa exigir uma atualização do hardware.
"Ao se levar em
consideração o Windows, percebe-se que a Microsoft não faz questão
nenhuma de deixar as novas versões mais leves. Nem sempre o mais
potente é melhor para o usuário. O que pode parecer uma vantagem
aparente, torna-se um obstáculo", comenta Célio Silva, gerente de
e-business da consultoria YKP.
O técnico Marcelo Magalhães
afirma que o Windows XP precisa de uma máquina com pelo menos 256 MB
para não decepcionar. "Se o usuário tiver um PC com 128 MB de
memória RAM, o sistema vai até rodar bem, se forem usados apenas
programas leves. Na hora que for jogar um game mais pesado, haverá
problemas como travamento ou lentidão", destaca.
Magalhães
cita o caso de um cliente que tinha um computador com processador
AMD K6-2 de 500Mhz e fez a migração do Windows 98 para o XP. "A
máquina estava mais estável, mas quando ele executava alguma
operação que exigia trabalho do processador apareciam problemas,
como ruídos na hora de tocar músicas em formato MP3",
conta.
Os problemas de compatibilidade também devem ser
levados em consideração. O novo Office, por exemplo, não funciona
com o Windows 98 ou versões anteriores. Quem quiser usar os novos
aplicativos de escritório da Microsoft terá que trocar o sistema
operacional.
Segundo especialistas, o Windows XP realmente é
a versão mais estável do sistema operacional da Microsoft, mas os
usuários que optarem pelo upgrade poderão sofrer com alguns
problemas. No caso dos softwares, não há tantos entraves, devido ao
módulo de compatibilidade do XP, um recurso considerado suficiente
para resolver falhas de comunicação do sistema operacional com
aplicativos que não são da Microsoft. Já os periféricos podem causar
mais dificuldades, principalmente se forem muito
antigos.
Toda vez que é lançada uma nova versão de um sistema
operacional demora um pouco para os fabricantes de hardware lançarem
drives de atualização - programas que estabelecem a comunicação
entre o dispositivo e o sistema. No caso do Windows XP, que já está
há mais de um ano no mercado, não há mais tantos problemas. No
entanto, quando o equipamento é muito antigo, pode acontecer de o
fabricante não ter mais interesse em atualizar os drives.
A
questão da incompatibilidade, porém, é mais complexa e muitas vezes
o usuário nem consegue identificar que esse é o problema do micro.
Para fazer um upgrade de hardware, por exemplo, é importante fazer
testes de compatibilidade entre os componentes. Por isso, usuários
menos experientes que compram as peças e instalam por conta própria
podem ter surpresas desagradáveis.
Uma placa de vídeo, por
exemplo, pode não ser compatível com a placa-mãe e ocasionar
travamentos constantes na máquina. "Um bom montador de PC testa
todos os componentes para saber se são compatíveis. Claro que nem
sempre isso acontece e as pessoas simplesmente colocam peças
baratas. O usuário leigo terá que contar com a sorte se quiser
trocar tudo sozinho", alerta Marcelo Magalhães.
O conselho
também serve para quem pretende ampliar a memória do micro. Deve se
levar em consideração na hora da compra se há compatibilidade com a
placa-mãe. Segundo especialistas, na maioria das vezes funciona, mas
nada garante que o desempenho seja 100% depois da troca.
Quem
pensa em fazer um upgrade do processador também precisa saber se a
máquina é apropriada. A placa-mãe pode não ser compatível com o tipo
de soquete ou com características como o barramento do chip. Mesmo
quando tudo se encaixa perfeitamente, o desempenho superior
significa mais calor concentrado dentro do gabinete. A situação é
agravada no caso de PCs equipados com gravadores de CD ou placas de
vídeo.
No entanto, o quesito mais importante na hora de fazer
um upgrade é o bom senso, ou seja, saber exatamente que tipo de
função terá o PC. Quem não utiliza softwares de edição de imagens ou
jogos, por exemplo, não precisa gastar dinheiro na troca ou
aquisição de uma placa de vídeo.
Os donos de PCs muito
antigos também devem pensar duas vezes antes de trocar as peças.
Provavelmente, os problemas serão tantos, que valerá mais a pena
adquirir um computador novo.
Decisão errada custa caro a empresas
Uma decisão errada na hora de fazer upgrade
pode significar muito mais para as empresas - obrigadas a avaliar
bem as necessidades e evitar que os gastos excessivos comprometam o
orçamento. O momento exato de atualizar hardware ou software depende
de cada tipo e tamanho de companhia, mas os consultores concordam
que, como no caso dos usuários domésticos, nem sempre o mais moderno
é o ideal.
No caso dos softwares, por exemplo, é recomendável
esperar pelo menos seis meses para pensar na migração. Esse é um
tempo suficiente para que os bugs sejam eliminados e os drivers
atualizados pelos fabricantes. "Se a empresa não estiver bem
assessorada pode cometer erros de dimensionamento", acrescenta
Jackson Schemes, diretor da Markway.
No caso do hardware, um
dos erros comuns é investir na instalação de uma infra-estrutura
cuja capacidade será utilizada somente depois de anos. "É essencial
crescer conforme a demanda", destaca Schemes. O executivo destaca
que uma boa opção atualmente é rodar os aplicativos no servidor e
utilizar os chamados "terminais burros" como estação de trabalho.
Quando a empresa quiser aumentar a performance do sistema, terá que
investir somente no upgrade do servidor.
Dawson Henriques,
sócio-diretor da Siscorp, destaca que para as empresas é importante
adiar ao máximo o momento de fazer upgrade. Para isso, devem evitar
implementar aplicativos muito pesados, que as obriguem a trocar os
equipamentos.
"O trabalho é tentar deixar cada vez mais
distante o momento do reinvestimento. O mercado está cansado de
fazer investimentos e perceber que não foi agregado nenhum valor",
observa.
Henriques comenta que a hora de mudar é quando o
negócio da empresa começa a ser prejudicado por falta de capacidade
tecnológica. "Se a empresa quer, colocar informações na Internet ou
manter um canal de relacionamento online, e não consegue por falta
de recursos, é hora de atualizar a tecnologia", afirma. |