Ano III - N° 11
Brasil, junho de 2005. 

Missão Impossível

Dr Érico Sodré Quirino Ferreira(*)

    Não é de hoje que olhamos a luta do Banco Central e do Ministério da Fazendo para manter a inflação sob controle. Afinal, desde que foi criado o plano de metas de inflação, o BC vem se esforçando através da política monetária conter as expectativas de aumento dos preços. O Ministro da Fazenda Antonio Palocci reiteradas vezes disse ser impossível o país crescer de maneira sustentada com descontrole inflacionário e fiscal, o que concordo plenamente.

    Porém, o problema do país é que apesar do esforço feito pelo Banco Central e pela postura correta do ministro da Fazenda o país vive um período de gastança desgovernada. É verdade que 2003 foi um ano de contenção, mas a curva se inverteu em 2004 e tudo indica que em 2005 continuará na mesma direção. Pior, o governo gasta muito e com baixa eficácia, gasta onde não é preciso. O superávit fiscal de 4,5% alcançado em 2004 veio exclusivamente do aumento da carga tributária e não do corte de despesas. Ora vejamos, apenas nos últimos dois anos foram contratados mais de 45 mil funcionários, a folha anual de pessoal chegou a R$ 28,6 bilhões, um crescimento de 44% em relação a 2002, segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira SIAF o governo gastou com compra de veículos R$ 439,7 milhões, 44,6 % a mais do que 2003, com passagens aéreas, diárias e hospedagem este número senhores chegou a R$ 1,2 bilhão uma elevação de 28,3%, os gastos com a Previdência e com servidores públicos da ativa consumiram 51% dos gastos totais do Tesouro Nacional. Detalhe: a Previdência vem aumentando seus gastos ano após ano em um rumo decididamente perigoso.

    Não é à toa que o governo tentou de maneira sorrateira, na virada do ano, aumentar mais uma vez a carga tributária através da MP 232. A reação da sociedade foi uma mostra de maturidade e mostrou não ser mais possível aumento de impostos. Foi um sinal de alerta: ou o governo reduz gastos, diminuindo a máquina pública e equacionando a questão da previdência ou caminharemos para um processo de insolvência.

    O controle dos gastos públicos precisa ser uma tarefa permanente do governo. Caso contrário, a missão do Banco Central de conter a inflação será impossível ou ela se dará com um custo absurdo para a sociedade. Precisamos cortar o círculo vicioso que não permite à atividade produtiva se expandir, pois é barrada pelo dique dos juros. Não nos cabe ficar criticando a autoridade monetária, temos sim, que olhar para a raiz da questão e pressionar o poder legislativo e executivo para que tenham uma postura responsável. Enfim, de nada adianta uma parte do governo ter uma postura austera enquanto outra gasta, gasta e gasta.


    

(*) Dr Érico Sodré Quirino Ferreira - Presidente da Acrefi-
Associação Nacional das Instituições de Crédito, Finan. e Investimento