Missão
Impossível
Dr
Érico Sodré Quirino Ferreira(*)
Não
é de hoje que olhamos a luta do Banco Central
e do Ministério da Fazendo para manter a inflação
sob controle. Afinal, desde que foi criado o plano
de metas de inflação, o BC vem se esforçando
através da política monetária
conter as expectativas de aumento dos preços.
O Ministro da Fazenda Antonio Palocci reiteradas vezes
disse ser impossível o país crescer
de maneira sustentada com descontrole inflacionário
e fiscal, o que concordo plenamente.
Porém,
o problema do país é que apesar do esforço
feito pelo Banco Central e pela postura correta do
ministro da Fazenda o país vive um período
de gastança desgovernada. É verdade
que 2003 foi um ano de contenção, mas
a curva se inverteu em 2004 e tudo indica que em 2005
continuará na mesma direção.
Pior, o governo gasta muito e com baixa eficácia,
gasta onde não é preciso. O superávit
fiscal de 4,5% alcançado em 2004 veio exclusivamente
do aumento da carga tributária e não
do corte de despesas. Ora vejamos, apenas nos últimos
dois anos foram contratados mais de 45 mil funcionários,
a folha anual de pessoal chegou a R$ 28,6 bilhões,
um crescimento de 44% em relação a 2002,
segundo dados do Sistema Integrado de Administração
Financeira SIAF o governo gastou com compra de veículos
R$ 439,7 milhões, 44,6 % a mais do que 2003,
com passagens aéreas, diárias e hospedagem
este número senhores chegou a R$ 1,2 bilhão
uma elevação de 28,3%, os gastos com
a Previdência e com servidores públicos
da ativa consumiram 51% dos gastos totais do Tesouro
Nacional. Detalhe: a Previdência vem aumentando
seus gastos ano após ano em um rumo decididamente
perigoso.
Não
é à toa que o governo tentou de maneira
sorrateira, na virada do ano, aumentar mais uma vez
a carga tributária através da MP 232.
A reação da sociedade foi uma mostra
de maturidade e mostrou não ser mais possível
aumento de impostos. Foi um sinal de alerta: ou o
governo reduz gastos, diminuindo a máquina
pública e equacionando a questão da
previdência ou caminharemos para um processo
de insolvência.
O
controle dos gastos públicos precisa ser uma
tarefa permanente do governo. Caso contrário,
a missão do Banco Central de conter a inflação
será impossível ou ela se dará
com um custo absurdo para a sociedade. Precisamos
cortar o círculo vicioso que não permite
à atividade produtiva se expandir, pois é
barrada pelo dique dos juros. Não nos cabe
ficar criticando a autoridade monetária, temos
sim, que olhar para a raiz da questão e pressionar
o poder legislativo e executivo para que tenham uma
postura responsável. Enfim, de nada adianta
uma parte do governo ter uma postura austera enquanto
outra gasta, gasta e gasta.