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Gerenciamento
de Processos
Fernanda
Vergueiro Rodrigues (*)
Clientes exigentes é o que o
mercado mundial têm produzido em maior quantidade. Para
atender a essa crescente demanda, as empresas - independente
de seu setor ou área de atuação - procuram melhorar
internamente, iniciando por seus recursos humanos.
Através
de treinamento, palestras e difusão de conhecimento,
as empresas buscam munir seus colaboradores com informação
suficiente para que eles possam traduzir as necessidades
dos clientes e satisfazê-las.
No
entanto, há um momento em que esta atitude para de dar
resultados, em parte devido a tecnologia que não acompanhou
as transformações do mercado, em parte por que seus
processos não estão adequados. Neste instante, as empresas
partem para ações radicais de troca de sistemas, acreditando
que isto bastará para alçar novos patamares na escala
de evolução e crescimento empresarial.
Embora
a tecnologia seja vista como um facilitador de negócios,
somente a transformação dos sistemas não alcança os
resultados esperados pelas empresas, que costumam adaptar
ao máximo seus sistemas sem rever os processos. Algumas
empresas chegam ao ponto de não conseguir terminar as
implantações de sistemas, pois a cada mudança nas regras
de mercado (e não são poucas), elas resolvem adaptar
o sistema para que ele não engesse os negócios. E, a
experiência mostra que essa estratégia é mortal quando
nos encontramos em um ambiente competitivo.
Antes
das pessoas e, antes ainda da tecnologia é necessário
rever os processos internos, simplificá-los e flexibilizá-los
ao máximo para que a transformação da empresa alcance
níveis extraordinários de produtividade, redução de
custos e, principalmente, retorno sobre investimento.
A
revisão de processos possibilita a melhoria de qualidade
no atendimento aos clientes, representada pela maior
agilidade de resposta ao mercado; a redução de custos
"invisíveis" e a tão sonhada integração entre as áreas
da empresa.
Qualquer
empresa possui uma imensidão de processos, macro-processos
e subprocessos que não podem ser revistos sem
um critério. Então, como começar
?
O
primeiro passo é identificar no Plano Estratégico
da empresa as principais áreas de atuação,
quais os focos de negócio e objetivos a curto,
médio e longo prazo. Essa informação
possibilita a determinação de quais serão
os principais processos a serem atacados primeiramente.
Estes processos muito provavelmente são aqueles
que mais afetam a imagem, credibilidade e lucratividade
do negócio.
A
iniciativa de promover uma mudança desse vulto
na empresa deve sempre partir do alto escalão
que direciona os processos de acordo com as medidas
estratégicas.
A
realização dos trabalhos de revisão
requer uma equipe diversificada tanto em personalidades
quanto em áreas de atuação. É
importante que haja bastante discussão sobre
o que é feito hoje e o que seria ideal fazer,
sem constrangimentos. Para revisar processos é
necessário questionar sempre qual seria a melhor
forma para atingir determinado objetivo. É como
se definíssemos o melhor trajeto e meio de transporte
para atingir determinado local na cidade. Os meios representam
a Tecnologia, seja ela: planilha, formulário,
sistemas, máquina de escrever, fax, email, carta,
dentre outros. As Pessoas são os agentes da mudança,
que a fazem acontecer e os Processos são a combinação
entre o que as pessoas farão, os meios
e como a atividade será feita.
Neste
processo de revisão é importante garantir
a continuidade da visão sobre a necessidade do
cliente em todos os departamentos participantes. Aqui
vale esforço compartilhado e o resultado da empresa
e não do departamento.
Fluxogramas
são a ferramenta que melhor se adapta à
representação dos processos. Através
deles é possível ter uma visão
do todo e perguntar sempre se estamos na seqüência
correta, ou fazendo a atividade da maneira mais simples
ou ainda se aquela atividade agrega valor ao negócio.
A ótica é sempre aquela de minimizar
riscos e agregar valor ao negócio.
A
partir daí podemos tomar decisões quanto
a manter, modificar ou até mesmo eliminar certas
atividades. A probabilidade de ter que modificar a estrutura
organizacional (a maneira como estão divididas
as áreas e atividades) é grande. Portanto,
atividades como redesenho de layout, de cargos, realocação
de pessoas, treinamentos e adaptações
de sistemas são comuns. Nesta etapa, a comunicação
sobre as mudanças e o envolvimento dos colaboradores
são pontos essenciais para o sucesso do projeto.
Embora
a revisão de processos seja apenas a etapa inicial
de reformulação da empresa que, a partir
daqui, poderá reciclar as pessoas e até
mesmo a tecnologia, ela não tem fim. Deve ser
um processo de melhoria contínua, devendo ser
avaliada, medida e auditada com a finalidade de garantir
que a empresa não pare no tempo, que esteja sempre
andando junto, senão à frente do mercado.
O monitoramento dos processos visa identificar desvios
e mesmo eventuais mudanças nos objetivos da empresa
adaptando os processos às novas realidades.
Quaisquer
que sejam os índices adotados para avaliação
(produtividade, lucro, custos), é importante
que sejam quantitativos para que não tornem a
avaliação sujeita a interpretações
subjetivas.
A
organização que escolhe ser orientada
a processos provoca uma mudança profunda em sua
forma de trabalho que resulta em melhorias na maneira
de atender a seus clientes e de gerir os negócios
a fim de atingir seus objetivos estratégicos.
(*)
Fernanda Vergueiro Rodrigues é Gerente de Processos
e Projetos da
Áurea Seguradora de Créditos e Garantias.
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