Ano II - N° 9
Brasil, abril de 2004. 

GESTÃO ESTRATÉGICA E OPERACIONAL
"SEM ESTA SINTONIA OS PLANOS FRACASSAM".

Sergio Moreno(*)

                            O Cenário Competitivo

    Agilidade na identificação das necessidades dos clientes e transformação destas necessidades em produtos, atendimento de qualidade e respostas rápidas aos clientes, retorno do investimento compatível com as expectativas dos acionistas, são alguns dos desafios impostos às seguradoras, entidades abertas de previdência privada e de capitalização, nos últimos anos da nova era da informação. Ao contrário da era industrial, quando o sucesso das empresas era determinado pela maneira como se aproveitavam dos benefícios das economias de escala e da incorporação de novas tecnologias aos ativos físicos, a era da informação, que hoje vivemos, exige o efetivo acompanhamento das mudanças de hábitos e preferências do consumidor, o monitoramento da concorrência, e a flexibilidade dos processos para mudar rapidamente o rumo dos negócios.

    Para muitas organizações, mais difícil do que competir na era da informação é transformar seus planos em realidade. Excelentes planos podem não sair do papel ou serem implementados de forma equivocada, por falta de sintonia entre a gestão estratégica e a operacional.

    Existe um grande número de empresas que preparam o plano estratégico e o orçamento apenas para cumprir um ritual ou uma determinação superior, deixando de aproveitar as informações provenientes do modelo para orientar suas ações futuras, especialmente aquelas que indicam a necessidade de mudanças. De nada adianta ter os demonstrativos, as informações, toda a estrutura disponível, se não forem tomadas ações e providências para colocar a empresa no rumo desejado.

Os Sintomas da Falta de Sintonia entre a Gestão Estratégica e a Operacional

    Nas organizações onde não há alinhamento entre a gestão estratégica e a operacional, são perceptíveis as disfunções e a busca de culpados pelos maus resultados, antes de se analisar se os instrumentos que servem de ponte entre o estratégico e o operacional, existem, estão desobstruídos, e se todas as pessoas os compreendem.

  •   Os principais sintomas da falta de sintonia:
    1. No encerramento do ano social, os resultados financeiros e operacionais obtidos, não guardam relação direta com as metas e objetivos estratégicos desejados;
    2. O plano estratégico não foi alterado e adaptado às mudanças ou necessidades do ambiente externo;
    3. Excesso de informações e muito pouca ação.
  •   Outros sintomas:
    1. Dispersão e mau uso dos recursos;
    2. Processos que não atendem a entrega do produto ao cliente nos padrões e níveis de serviço requeridos;
    3. Uso ineficiente de ferramentas de tecnologia;
    4. Uso de diversos sistemas, padrões e métricas para se avaliar os mesmos desempenhos.

Como Colocar a Estratégia em Prática

    Inicialmente, é necessário que os objetivos estratégicos estejam claramente definidos, divulgados, e compreendidos pelas pessoas responsáveis por obter os resultados. Em um segundo estágio, o plano deve ser traduzido em metas e resultados operacionais e financeiros, utilizando-se técnicas de projeção, de medição e avaliação, amparadas por ferramentas de tecnologia que permitirão rapidez, agilidade, e confiabilidade ao processo. Não se trata apenas de elaborar um orçamento com metas fixas, alocação predeterminada de recursos, e acompanhar as suas variações, mas de estruturar um ciclo de gestão empresarial, onde o planejamento contínuo faz as pessoas se aterem à geração de valor, e cada técnica e ferramenta utilizada cumpre sua função no sentido de integrar o planejado e o realizado.

    A estruturação do ciclo de gestão estratégica e operacional, pode ser resumida nas seguintes etapas:

  • Diagnóstico abrangendo os processos de definição dos objetivos estratégicos, da elaboração de previsões orçamentárias, e da medição e acompanhamento de resultados, objetivando identificar as técnicas e ferramentas utilizadas, o grau de conhecimento e comprometimento das pessoas, as causas de eventuais disfunções, e as oportunidades de melhorias;
  • Definição dos Indicadores Chave de Desempenho (KPIs), tanto os estratégicos como os operacionais. Nesta etapa poderão ser utilizados os conceitos do Balanced Scorecard, construindo-se o painel para o acompanhamento do desempenho, e as relações de causa e efeito entre os diversos indicadores;
  • Definição do modelo de previsão orçamentária e das formulações que serão utilizadas para cada natureza de conta, validando-se as fórmulas, e as correlações entre as contas que resultam nos demonstrativos de resultado, fluxo de caixa e balanço patrimonial. Para as empresas que já utilizam os conceitos de ABC - Activity Based Costing, ou seja, custeiam seus processos e produtos por atividade, devem ser também validadas as fórmulas de custeio e dos direcionadores de custos, promovendo a sua integração no modelo orçamentário;
  • Definição do modelo para o monitoramento do mercado, utilizando os conceitos de Banchmarking por indústria, grupo e empresa individual, ramo de seguro e outros segmentos que a empresa desejar se comparar.
  • Definição do modelo de feed-back e reprogramação de objetivos estratégicos e previsões com base nas mudanças do ambiente interno e externo a empresa.
  • É um fator crítico do sucesso da implementação, a utilização de metodologia de gerenciamento de todas as etapas do projeto.

A Escolha Certa da Ferramenta Tecnológica

    Tão importante quanto desenvolver o modelo de gestão estratégica e operacional, é escolher a ferramenta certa que suportará o seu funcionamento. Características importantes como: facilidade de parametrização, não dependendo da área de IT; acesso via internet ou intranet; integração com diversos bancos de dados; cálculos avançados de rateio e alocação de custos; análises robustas relação amigável e integração dos usuários; possibilidade de segmentação e consolidação ilimitada; controle de acesso; rapidez na realização de simulações e atualizações; devem ser avaliadas no momento da seleção e aquisição da ferramenta. Adicionalmente, devem ser consideradas as informações sobre a empresa que está vendendo e posteriormente fornecerá o suporte de manutenção à ferramenta.

    Normalmente, as ferramentas mais completas exigem um investimento considerável de recursos, que nem sempre a sociedade está desejando ou tem condições de realizar. Entretanto, existem alternativas menos custosas, que se aproveitam do banco de dados e de sistemas já existentes na empresa, e requerem apenas uma correta modelagem das informações, das telas e dos relatórios gerenciais, e a integração dos sistemas para gerar os resultados. Portanto, não há desculpas para a sociedade não ter um sistema de acompanhamento do negócio e uma perfeita sintonia entre a sua gestão estratégica e operacional.

(*) Sergio Moreno é Diretor de Insurance Services da KPMG Auditores Independentes.