GESTÃO
ESTRATÉGICA E OPERACIONAL
"SEM ESTA SINTONIA OS PLANOS FRACASSAM".
Sergio
Moreno(*)
O
Cenário Competitivo
Agilidade
na identificação das necessidades dos clientes e transformação
destas necessidades em produtos, atendimento de qualidade
e respostas rápidas aos clientes, retorno do investimento
compatível com as expectativas dos acionistas, são
alguns dos desafios impostos às seguradoras, entidades
abertas de previdência privada e de capitalização,
nos últimos anos da nova era da informação. Ao contrário
da era industrial, quando o sucesso das empresas era
determinado pela maneira como se aproveitavam dos
benefícios das economias de escala e da incorporação
de novas tecnologias aos ativos físicos, a era da
informação, que hoje vivemos, exige o efetivo acompanhamento
das mudanças de hábitos e preferências do consumidor,
o monitoramento da concorrência, e a flexibilidade
dos processos para mudar rapidamente o rumo dos negócios.
Para
muitas organizações, mais difícil do que competir
na era da informação é transformar seus planos em
realidade. Excelentes planos podem não sair do papel
ou serem implementados de forma equivocada, por falta
de sintonia entre a gestão estratégica e a operacional.
Existe
um grande número de empresas que preparam o plano
estratégico e o orçamento apenas para cumprir um ritual
ou uma determinação superior, deixando de aproveitar
as informações provenientes do modelo para orientar
suas ações futuras, especialmente aquelas que indicam
a necessidade de mudanças. De nada adianta ter os
demonstrativos, as informações, toda a estrutura disponível,
se não forem tomadas ações e providências para colocar
a empresa no rumo desejado.
Os
Sintomas da Falta de Sintonia entre a Gestão
Estratégica e a Operacional
Nas
organizações onde não há alinhamento entre a gestão
estratégica e a operacional, são perceptíveis as disfunções
e a busca de culpados pelos maus resultados, antes
de se analisar se os instrumentos que servem de ponte
entre o estratégico e o operacional, existem, estão
desobstruídos, e se todas as pessoas os compreendem.
- Os
principais sintomas da falta de sintonia:
- No encerramento
do ano social, os resultados financeiros e operacionais
obtidos, não guardam relação
direta com as metas e objetivos estratégicos
desejados;
- O plano estratégico
não foi alterado e adaptado às
mudanças ou necessidades do ambiente
externo;
- Excesso de informações
e muito pouca ação.
- Outros
sintomas:
- Dispersão
e mau uso dos recursos;
- Processos que
não atendem a entrega do produto ao cliente
nos padrões e níveis de serviço
requeridos;
- Uso ineficiente
de ferramentas de tecnologia;
- Uso de diversos
sistemas, padrões e métricas para
se avaliar os mesmos desempenhos.
Como
Colocar a Estratégia em Prática
Inicialmente,
é necessário que os objetivos estratégicos estejam
claramente definidos, divulgados, e compreendidos
pelas pessoas responsáveis por obter os resultados.
Em um segundo estágio, o plano deve ser traduzido
em metas e resultados operacionais e financeiros,
utilizando-se técnicas de projeção, de medição e avaliação,
amparadas por ferramentas de tecnologia que permitirão
rapidez, agilidade, e confiabilidade ao processo.
Não se trata apenas de elaborar um orçamento com metas
fixas, alocação predeterminada de recursos, e acompanhar
as suas variações, mas de estruturar um ciclo de gestão
empresarial, onde o planejamento contínuo faz as pessoas
se aterem à geração de valor, e cada técnica e ferramenta
utilizada cumpre sua função no sentido de integrar
o planejado e o realizado.
A
estruturação do ciclo de gestão estratégica e operacional,
pode ser resumida nas seguintes etapas:
-
Diagnóstico
abrangendo os processos de definição
dos objetivos estratégicos, da elaboração
de previsões orçamentárias,
e da medição e acompanhamento de resultados,
objetivando identificar as técnicas e ferramentas
utilizadas, o grau de conhecimento e comprometimento
das pessoas, as causas de eventuais disfunções,
e as oportunidades de melhorias;
-
Definição
dos Indicadores Chave de Desempenho (KPIs), tanto
os estratégicos como os operacionais. Nesta
etapa poderão ser utilizados os conceitos
do Balanced Scorecard, construindo-se o painel para
o acompanhamento do desempenho, e as relações
de causa e efeito entre os diversos indicadores;
-
Definição
do modelo de previsão orçamentária
e das formulações que serão
utilizadas para cada natureza de conta, validando-se
as fórmulas, e as correlações
entre as contas que resultam nos demonstrativos
de resultado, fluxo de caixa e balanço patrimonial.
Para as empresas que já utilizam os conceitos
de ABC - Activity Based Costing, ou seja, custeiam
seus processos e produtos por atividade, devem ser
também validadas as fórmulas de custeio
e dos direcionadores de custos, promovendo a sua
integração no modelo orçamentário;
-
Definição
do modelo para o monitoramento do mercado, utilizando
os conceitos de Banchmarking por indústria,
grupo e empresa individual, ramo de seguro e outros
segmentos que a empresa desejar se comparar.
-
Definição
do modelo de feed-back e reprogramação
de objetivos estratégicos e previsões
com base nas mudanças do ambiente interno
e externo a empresa.
-
É
um fator crítico do sucesso da implementação,
a utilização de metodologia de gerenciamento
de todas as etapas do projeto.
A
Escolha Certa da Ferramenta Tecnológica
Tão
importante quanto desenvolver o modelo de gestão estratégica
e operacional, é escolher a ferramenta certa que suportará
o seu funcionamento. Características importantes como:
facilidade de parametrização, não dependendo da área
de IT; acesso via internet ou intranet; integração
com diversos bancos de dados; cálculos avançados de
rateio e alocação de custos; análises robustas relação
amigável e integração dos usuários; possibilidade
de segmentação e consolidação ilimitada; controle
de acesso; rapidez na realização de simulações e atualizações;
devem ser avaliadas no momento da seleção e aquisição
da ferramenta. Adicionalmente, devem ser consideradas
as informações sobre a empresa que está vendendo e
posteriormente fornecerá o suporte de manutenção à
ferramenta.
Normalmente,
as ferramentas mais completas exigem um investimento
considerável de recursos, que nem sempre a sociedade
está desejando ou tem condições de realizar. Entretanto,
existem alternativas menos custosas, que se aproveitam
do banco de dados e de sistemas já existentes na empresa,
e requerem apenas uma correta modelagem das informações,
das telas e dos relatórios gerenciais, e a integração
dos sistemas para gerar os resultados. Portanto, não
há desculpas para a sociedade não ter um sistema de
acompanhamento do negócio e uma perfeita sintonia
entre a sua gestão estratégica e operacional.
(*)
Sergio Moreno é Diretor de Insurance Services
da KPMG Auditores Independentes.
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