ASP
- Application Server Provider
Ivan
Garcia(*)
Há
algum tempo atrás, não se ouvia falar
do termo Aplication Server Provider (ASP). Atualmente
o mercado ASP é um fenômeno comprovado.
Num curto espaço de tempo, o conceito de
fazer leasing de aplicativos para empresas cresceu
de uma proposta interessante, mas improvável,
para uma indústria com suas próprias
ramificações.
Com um novo modelo de
negócios, ASP (Application Server Provider),
em que o usuário final não é
obrigado a investir na aquisição e manutenção
de ativos de software e hardware para usufruir avanços
tecnológicos, começa a ganhar mais e
mais espaço entre grupos de trabalho, empresas
de pequeno porte e até mesmo grandes corporações.
Os Web Services, com fortes características
de integração e "interoperabilidade",
combinam tecnologias que se complementam e veêm
para o mercado com o objetivo de gerar recursos para
que as organizações possam utilizar
a Internet para oferecer, com rapidez e flexibilidade,
novas funcionalidades para seus parceiros de negócios.
As vantagens da contratação desse tipo
de serviço envolvem custos reduzidos, economia
de mão-de-obra e inexistência de preocupações
com manutenção e atualização
dos sistemas, responsabilidades que ficam a cargo
do fornecedor.
Como todo acrônimo que
vira moda no mundo da tecnologia, o ASP também
merece atenção, ou melhor, cautela.
Nos Estados Unidos e Europa, a movimentação
em torno do conceito de prover sistemas baseados em
aplicativos e serviços, pelos quais se paga
apenas o que se usou, começou a se intensificar
em 2002. No Brasil, foi a partir de 2003 que inúmeras
empresas anunciaram seu posicionamento frente a esse
novo mercado.
ASP é uma evolução
de idéias que foram aprimoradas até
se estabelecer o modelo que atualmente é defendido
por quase todos representantes da indústria.
O ASP é um tipo particular de outsourcing,
pois terceiriza serviços e faz o papel de provedores
de hospedagem, que fornecem a infra-estrutura de armazenamento
e segurança dos dados. O atual conceito de
ASP ainda pode sofrer pequenas alterações,
pois seu funcionamento é mais complexo do que
se imagina e ainda está amadurecendo, conforme
mais empresas implementam o modelo e o adapta à
realidade dos clientes.
Como a forma de cobrança
dos ASPs é essencialmente pelo uso, os usuários
têm como preservar o fluxo de caixa, com gastos
previsíveis e sem altos investimentos para
implantação de novos sistemas.
Atualmente, para se informatizar
ou automatizar parte dos negócios, a empresa
deve manter uma equipe para administrar e manter o
sistema em funcionamento. É necessário
o investimento na compra e atualização
de equipamentos e programas, além da necessidade
de se arcar com eventuais custos de consultoria ou
desenvolvimento, para adequar as soluções.
No caso do ASP, todos esses custos estão embutidos
nas mensalidades. Logo, quem não tem recursos
para adquirir tecnologia de ponta, passa a ter a opção
de "alugá-los".
Os aplicativos e serviços
fornecidos pelos ASPs são modelados para atenderem
à maior parte das empresas, sem que seja necessário
haver muitas alterações para adequação.
Assim, os aplicativos estão praticamente prontos
para serem instalados, o que agiliza a implantação.
Empresas novas ou que passam por drástica reestruturação
se beneficiam da opção ASP, pois um
sistema pode ser colocado em funcionamento rapidamente.
Como o provedor é responsável
pela disponibilidade do sistema, ele deve garantir
a operação ininterrupta, mesmo sob condições
imprevistas. Ou seja, o ASP é quem deve investir
em todos recursos de segurança necessários,
além de oferecer serviço de suporte
técnico permanente. O alto gasto com sistemas
de backup, espelhamento de dados, equipamentos redundantes,
firewalls, sistemas de detecção de invasão
ou ataque, entre outros itens dispendiosos, são
compartilhados entre os clientes do ASP.
Ao terceirizar serviços,
a empresa pode se organizar melhor e utilizar seu
o tempo apenas em ações que dizem respeito
ao seu foco de negócio.
Dependendo do caráter
da aplicação, o serviço pode
ser fornecido por meio de redes corporativas WAN,
por linhas dedicadas ou pela Internet. Isso abre novas
formas de negócios para operadoras de telefonia,
para os atuais provedores de acesso à Internet
e todos os outros fornecedores de infra-estrutura
de comunicação sem fio ou vias de alta
velocidade.
Para o desenvolvedor de aplicativos,
o modelo ASP pode ampliar o quadro de clientes potenciais,
pois os sistemas que antes eram acessíveis
somente a grandes e médias empresas, poderão
ser consumidos pelos menores também.
A mesma variedade que existe
para oferta de aplicativos convencionais hoje, será
vista nos ASPs. Eles podem fornecer desde programas
básicos para edição de texto
e cálculos até sistemas inteiros para
gestão empresarial. Também podem atender
desde um simples usuário, como profissionais
autônomos, até empresas com um grande
número de funcionários.
Segundo um relatório
do Gartner Group, durante este ano, 80% das aplicações
fornecidas pelos ASPs não serão críticas
e cerca de 70% dos clientes serão pequenas
e médias empresas. O mesmo relatório
prevê que somente depois de quatro anos de estabelecimento
é que os ASPs assumirão processos críticos.
Os ASPs fornecem aplicativos
baseados em modelos prontos e o cliente, em geral,
tem pouca forma de personalizá-lo. Logo, quem
já possui um sistema implementado e que atende
bem aos requisitos particulares da empresa, deve estudar
muito bem antes de migrar para um ASP.
Essa pouca capacidade de personalização
inclui a dificuldade de integrar os sistemas antigos
da empresa (legados). Os provedores poderão
fornecer alterações profundas nesses
modelos iniciais, mas certamente cobrarão por
esses serviços e o tempo de implantação
pode não ser tão razoável quanto
se espera.
Praticamente todos os ASPs
prometem grande redução de custos. Para
implantação de um sistema novo, o custo
inicial é indiscutivelmente menor. Já
os gastos mensais, o usuário deve calculá-los
cuidadosamente e analisar principalmente os custos
escondidos, como perda de eficiência ou desempenho,
pois eles encarecem o modelo ASP.
Manter os dados da empresa
em um ambiente externo gera muita insegurança
e, se o provedor não mantiver uma relação
de confiança com o cliente, nem garantir a
segurança desses dados contra perdas e roubos,
a utilização do ASP torna-se inviável.
Se o cliente não souber
exatamente o que quer do provedor, provavelmente estará
contratando um problema, comparável à
escolha errada de programas ou equipamentos. Para
corrigir o erro e "emendar" o sistema, provavelmente
os custos reais e camuflados serão muito altos.
Quem está montando
um ASP deve ter noção de que o investimento
para criar um data center é altíssimo
e seu retorno pode se dar depois de três anos
ou mais. Portanto, mesmo sob parcerias, as ações
devem ser bem calculadas. A JD Ewards, que havia criado
uma divisão para fornecer infra-estrutura ASP
para seus aplicativos de ERP, reconsiderou sua posição
e, neste ano, desmontou a operação e
despediu 800 funcionários, admitindo que estava
fugindo de seu foco de negócio.
A verdade é que, sendo
o ASP um modelo de comercialização de
software e serviços, ele tem restrições
aos quais os métodos convencionais dão
melhor tratamento.
Porém, como toda ferramenta
que surge na área de tecnologia, o modelo está
em rápida evolução e promete
tornar-se uma grande solução para micro
e pequenas empresas, permitindo-lhes dedicarem-se
exclusivamente ao seu negócio.
(*)
Ivan Garcia é Gerente de Projetos da SISCORP