Ano I - N° 5
Brasil, junho de 2003. 

ASP - Application Server Provider

Ivan Garcia(*)

    Há algum tempo atrás, não se ouvia falar do termo Aplication Server Provider (ASP). Atualmente o mercado ASP é um fenômeno comprovado. Num curto espaço de tempo, o conceito de fazer leasing de aplicativos para empresas cresceu de uma proposta interessante, mas improvável, para uma indústria com suas próprias ramificações.
    Com um novo modelo de negócios, ASP (Application Server Provider), em que o usuário final não é obrigado a investir na aquisição e manutenção de ativos de software e hardware para usufruir avanços tecnológicos, começa a ganhar mais e mais espaço entre grupos de trabalho, empresas de pequeno porte e até mesmo grandes corporações. Os Web Services, com fortes características de integração e "interoperabilidade", combinam tecnologias que se complementam e veêm para o mercado com o objetivo de gerar recursos para que as organizações possam utilizar a Internet para oferecer, com rapidez e flexibilidade, novas funcionalidades para seus parceiros de negócios. As vantagens da contratação desse tipo de serviço envolvem custos reduzidos, economia de mão-de-obra e inexistência de preocupações com manutenção e atualização dos sistemas, responsabilidades que ficam a cargo do fornecedor.
    Como todo acrônimo que vira moda no mundo da tecnologia, o ASP também merece atenção, ou melhor, cautela. Nos Estados Unidos e Europa, a movimentação em torno do conceito de prover sistemas baseados em aplicativos e serviços, pelos quais se paga apenas o que se usou, começou a se intensificar em 2002. No Brasil, foi a partir de 2003 que inúmeras empresas anunciaram seu posicionamento frente a esse novo mercado.
    ASP é uma evolução de idéias que foram aprimoradas até se estabelecer o modelo que atualmente é defendido por quase todos representantes da indústria. O ASP é um tipo particular de outsourcing, pois terceiriza serviços e faz o papel de provedores de hospedagem, que fornecem a infra-estrutura de armazenamento e segurança dos dados. O atual conceito de ASP ainda pode sofrer pequenas alterações, pois seu funcionamento é mais complexo do que se imagina e ainda está amadurecendo, conforme mais empresas implementam o modelo e o adapta à realidade dos clientes.
    Como a forma de cobrança dos ASPs é essencialmente pelo uso, os usuários têm como preservar o fluxo de caixa, com gastos previsíveis e sem altos investimentos para implantação de novos sistemas.
    Atualmente, para se informatizar ou automatizar parte dos negócios, a empresa deve manter uma equipe para administrar e manter o sistema em funcionamento. É necessário o investimento na compra e atualização de equipamentos e programas, além da necessidade de se arcar com eventuais custos de consultoria ou desenvolvimento, para adequar as soluções. No caso do ASP, todos esses custos estão embutidos nas mensalidades. Logo, quem não tem recursos para adquirir tecnologia de ponta, passa a ter a opção de "alugá-los".
    Os aplicativos e serviços fornecidos pelos ASPs são modelados para atenderem à maior parte das empresas, sem que seja necessário haver muitas alterações para adequação. Assim, os aplicativos estão praticamente prontos para serem instalados, o que agiliza a implantação. Empresas novas ou que passam por drástica reestruturação se beneficiam da opção ASP, pois um sistema pode ser colocado em funcionamento rapidamente.
    Como o provedor é responsável pela disponibilidade do sistema, ele deve garantir a operação ininterrupta, mesmo sob condições imprevistas. Ou seja, o ASP é quem deve investir em todos recursos de segurança necessários, além de oferecer serviço de suporte técnico permanente. O alto gasto com sistemas de backup, espelhamento de dados, equipamentos redundantes, firewalls, sistemas de detecção de invasão ou ataque, entre outros itens dispendiosos, são compartilhados entre os clientes do ASP.
    Ao terceirizar serviços, a empresa pode se organizar melhor e utilizar seu o tempo apenas em ações que dizem respeito ao seu foco de negócio.
    Dependendo do caráter da aplicação, o serviço pode ser fornecido por meio de redes corporativas WAN, por linhas dedicadas ou pela Internet. Isso abre novas formas de negócios para operadoras de telefonia, para os atuais provedores de acesso à Internet e todos os outros fornecedores de infra-estrutura de comunicação sem fio ou vias de alta velocidade.
    Para o desenvolvedor de aplicativos, o modelo ASP pode ampliar o quadro de clientes potenciais, pois os sistemas que antes eram acessíveis somente a grandes e médias empresas, poderão ser consumidos pelos menores também.
    A mesma variedade que existe para oferta de aplicativos convencionais hoje, será vista nos ASPs. Eles podem fornecer desde programas básicos para edição de texto e cálculos até sistemas inteiros para gestão empresarial. Também podem atender desde um simples usuário, como profissionais autônomos, até empresas com um grande número de funcionários.
    Segundo um relatório do Gartner Group, durante este ano, 80% das aplicações fornecidas pelos ASPs não serão críticas e cerca de 70% dos clientes serão pequenas e médias empresas. O mesmo relatório prevê que somente depois de quatro anos de estabelecimento é que os ASPs assumirão processos críticos.
    Os ASPs fornecem aplicativos baseados em modelos prontos e o cliente, em geral, tem pouca forma de personalizá-lo. Logo, quem já possui um sistema implementado e que atende bem aos requisitos particulares da empresa, deve estudar muito bem antes de migrar para um ASP.
    Essa pouca capacidade de personalização inclui a dificuldade de integrar os sistemas antigos da empresa (legados). Os provedores poderão fornecer alterações profundas nesses modelos iniciais, mas certamente cobrarão por esses serviços e o tempo de implantação pode não ser tão razoável quanto se espera.
    Praticamente todos os ASPs prometem grande redução de custos. Para implantação de um sistema novo, o custo inicial é indiscutivelmente menor. Já os gastos mensais, o usuário deve calculá-los cuidadosamente e analisar principalmente os custos escondidos, como perda de eficiência ou desempenho, pois eles encarecem o modelo ASP.
    Manter os dados da empresa em um ambiente externo gera muita insegurança e, se o provedor não mantiver uma relação de confiança com o cliente, nem garantir a segurança desses dados contra perdas e roubos, a utilização do ASP torna-se inviável.
    Se o cliente não souber exatamente o que quer do provedor, provavelmente estará contratando um problema, comparável à escolha errada de programas ou equipamentos. Para corrigir o erro e "emendar" o sistema, provavelmente os custos reais e camuflados serão muito altos.
    Quem está montando um ASP deve ter noção de que o investimento para criar um data center é altíssimo e seu retorno pode se dar depois de três anos ou mais. Portanto, mesmo sob parcerias, as ações devem ser bem calculadas. A JD Ewards, que havia criado uma divisão para fornecer infra-estrutura ASP para seus aplicativos de ERP, reconsiderou sua posição e, neste ano, desmontou a operação e despediu 800 funcionários, admitindo que estava fugindo de seu foco de negócio.
    A verdade é que, sendo o ASP um modelo de comercialização de software e serviços, ele tem restrições aos quais os métodos convencionais dão melhor tratamento.
    Porém, como toda ferramenta que surge na área de tecnologia, o modelo está em rápida evolução e promete tornar-se uma grande solução para micro e pequenas empresas, permitindo-lhes dedicarem-se exclusivamente ao seu negócio.

(*) Ivan Garcia é Gerente de Projetos da SISCORP