Influência
da tecnologia no Marketing Empresarial
Francisco
C. Marcondes (*)
É
coerente dizer que a principal função
do Marketing é tornar o ato de vender supérfluo.
Assim, se as atividades de pesquisa, desenvolvimento
e gerenciamento da linha de produtos, aliadas às
variáveis controláveis do processo de
comercialização (preços, publicidade,
canais de distribuição etc.), forem
desenvolvidas com eficácia, o cliente se sentirá
de tal maneira atraído pela marca que não
será necessário vender: os clientes
tomarão por si só a decisão de
comprar. Embora pareça um tanto simplista,
esta afirmativa não deixa de ser, em grande
parte, factível.
Como
resultado, espera-se que as ações, tomadas
pelo administrador, estabeleçam um diferencial
competitivo sobre a concorrência, contudo, Marketing
é ação e não se pode agir
sem ter por base de orientação uma estratégia
bem definida.
Existem basicamente duas maneiras
de se obter uma vantagem competitiva. Uma delas se
faz pela liderança em preços. Nesse
caso o enfoque da empresa deve ser volume de vendas
de um determinado bem, ou seja, quanto maior o volume,
menores serão os meus custos fixos, assim,
a empresa poderá praticar preços mais
baixos para barrar a entrada de concorrentes em seu
segmento.
A
outra maneira é a liderança por valor
agregado. Nessa situação a empresa foca
a cadeia de valores do cliente, procurando fornecer
bens e serviços diferenciados, proporcionando
maiores benefícios aos seus clientes, cobrando
para isso um pouco mais. Com essa estratégia
procura-se entregar mais qualidade, mais performance,
maior garantia e melhores serviços de modo
a diminuir a resistência dos clientes por um
preço mais elevado.
Decidir por um ou por outro
caminho é um exercício de imaginação.
Como viabilizar essa ou aquela estratégia?
Qual delas está mais próxima da realidade
interna da organização? Como se organizar,
planejar, gerir e controlar para que se chegue ao
melhor resultado?
Porém, na maioria das
vezes, a tendência dos profissionais que tomam
decisões, no mundo empresarial é a de
não se correr riscos. É a conhecida
síndrome do "eu também":
Só após determinado método ou
tecnologia tornar-se uma realidade imprescindível
é que se pensa em "também"
implementá-la.
Ocorrre que, diariamente,
novidades em todas as áreas do comércio
são lançadas no mercado. São
bens de consumo, bens industriais, serviços,
sistemas de inforamação e apoio decisório
à gestão de empresas, só para
citar alguns.
O grande dilema é decidir
sobre quando, como e por que investir nas novidades.
Se o investimento é feito sem uma análise
apurada, pode-se gastar dinheiro sem a contrapardida
de benefícios que compensem essa ação.
Por outro lado, a adesão tardia a uma novidade
que proporcione um diferencial estratégico,
pode levar à perda de participação
de mercado para a concorrência e, em alguns
casos, até ao fechamento das atividades da
empresa.
A dificuldade em decidir está
diretamente relacionada com o grau de informação
e conhecimento que uma empresa tem sobre o assunto
no qual a tal novidade está inserida. Por exemplo:
Como uma empresa poderia avaliar a superioridade da
comunicação por e -mails sobre a manutenção
do uso do fax- símile se ela ainda não
conhece a internet?
Este é um dos motivos
que exige de um dirigente a sua constante atualização
sobre o que surge de novo no mercado, principalmente
temas que sejam estratégicos para o desempenho
eficaz dos seus negócios. Quanto menor o domínio
do assunto, maior o risco de se investir em algo supérfluo.
É melhor contratar um especialista externo
para se clarear a visão primeiro, do que decidir
sem conhecimento.
Um
ponto essencial nesta análise é verificar
se o custo x benefício da introdução
da nova tecnologia compensará os investimentos
em sua aquisição. Diante de uma resposta
positiva no item anterior, deve-se considerar a questão
do tempo necessário para se implementar a novidade.
Reforçando essa questão,
autores de renome internacional afirmam que o sucesso
de uma organização depende, em muitos
casos, de "Marketing e Inovação".
Uma novidade introduzida com atraso pode comprometer
o sucesso da companhia, contudo, se a implementação
for feita às pressas, antes do tempo adequado
de maturação da idéia, os investimentos
poderão também não vingar.
O
melhor momento para se introduzir o novo é
quando este ainda não se tornou uma questão
de sobrevivência da companhia, ou também
quando esse ainda não se tornou uma trivialide
no mercado.
Ressalte-se, porém,
que no caso de novas tecnologias, essas não
são absorvidas da noite para o dia, principalmente
quando não se trata apenas de fazer o velho
mais rápido, ou seja, quando sua introdução
implica em mudanças de paradígmas, que
exigem também mudanças culturais no
pensamento do pessoal técnico e operacional
envolvido.
O plano tático, nestes
casos, deve ser bem elaborado para que tudo ocorra
na ocasião mais oportuna. Muitas empresas dedicam
muita atenção ao hardware, esquecendo-se
de fazer o mesmo no que se refere ao treinamento e
aculturamento das pessoas envolvidas na mudança,
o "peopleware". Se um novo conceito será
introduzido, é fundamental que se dê
o devido tempo para que todos os elementos e tensões
se acomodem antes que uma introdução
comece a ser feita.
Concluindo, é imprescindível
manter-se informado sobre as novas exigências
e oportunidades do mercado, tanto quanto desenvolver
e manter a habilidade de gerir não só
hardwares e softwares, mas também o peopleware.
(*)
Francisco C. Marcondes é Diretor financeiro
da ABEPRO (Associação Brasileira de
Engenharia de Produção), Gerente de
Marketing da Sandvik e professor da UNICAMP, UNISO,
etc.