Ano I - N° 3
Brasil, janeiro de 2003. 

A Empresa no contexto Tecnológico

Osvaldo Taveira(*)

    A empresa está inserida num ambiente globalizado e precisa estar preparada para interagir com esse sistema de forma ágil e eficiente e uma das ferramentas tecnológicas que permitem esta interação é a Internet. O propósito básico da informação é o de habilitar a empresa a alcançar seus objetivos pelo uso eficiente dos recursos disponíveis, nos quais se inserem pessoas, materiais, equipamentos, tecnologia , dinheiro, além da própria informação. Dessa forma a empresa precisa se adaptar a uma nova realidade, utilizando seus recursos para reagir mais rapidamente aos desafios do mercado.

    E a tecnologia é uma ferramenta imprescindível. É através dela que, as pessoas e departamentos vão poder trocar informações e conhecimento na velocidade da luz através de suas redes de computadores.

    A empresa atual é eletrônica, virtual, utiliza-se da informática e das telecomunicações, como suas antecessoras utilizavam-se da máquina de escrever e calcular.

    Esta tecnologia deve estar a serviço dos clientes como dizem os gurus em administração. Conectando a empresa a seus Clientes e Fornecedores e permitindo monitorar seus clientes a cada passo.

    A inovação é outra característica da nova empresa . Os clientes exigem das empresas a melhor qualidade, o menor preço, produtos ecológicos, rapidez, etc. Peter Drucker define inovação como uma "mudança que cria uma nova dimensão de desempenho". Deve-se praticar um "abandono planejado" e descartar programas que dão certo hoje mas não darão no futuro.

    A empresa atual não espera necessariamente que termine o ciclo de vida de seus produtos, ela se antecipa a concorrência e mata seu próprio produto, como fez a Motorola que usou um mecanismo de "Inovar ou Morrer", com sua prática de cortar linhas de produtos consolidados com um grande volume de vendas , obrigando-se a preencher o vazio com novos produtos, que corresponda as expectativas de seus clientes.     Para isso isso ela necessita de informações atualizadas que reflitam estes anseios.

    Das 500 maiores companhias citadas pela revista Fortune em 1955, 70% já não existem mais. Na economia digital a concorrência vem de todos os cantos.

    Segundo pesquisas , a organização apoiada na Tecnologia da informação tem como principais características :

• Comunicação Eletrônica e Contato eletrônico
• Uso de e-mail e de ferramentas para trabalho em grupo
• Supervisão baseada na comunicação eletrônica, com menos reuniões face a face que em outras organizações.
• Gerentes delegam tarefas e tomada de decisões para seus subordinados e o sistema disponibiliza as informações necessárias para estas tomadas de decisões.
• Alguns membros da organização trabalham remotamente.
• A infra-estrutura tecnológica de uma organização deve-se apoiar numa rede de computadores conectadas a outras redes nacionais e internacionais, permitindo ainda a conexão com clientes e fornecedores ou outras entidades que se fizer necessário.
• Uso intensivo dos recursos eletrônicos para aumentar a produtividade e minimizar o uso de papel, utilizando armazenamento óptico de dados.
• Uso de agentes de software para executar uma variedade de tarefas sobre uma rede.
• Uso da comunicação eletrônica para dirigir tarefas focadas em um projeto específico.
• A intensa ligação formada com clientes e fornecedores aumentam a interatividade, precisão e reduz o tempo e a quantia de retrabalho quando as empresas fazem comércio uma com as outras.
• Esta ligação virtual permite por exemplo no caso de reposição de estoques, que um fornecedor supra as necessidades da empresa de forma just-in-time, atuando como parceiros no processo de produção.

     A empresa atual é criativa por necessidade, os mercados tornaram-se eletrônicos, e os produtos quase que devem ser feitos sob medida. Já podemos escolher as características de um Carro da GM através da Internet, para que ele possa ser fabricado sob encomenda para um cliente específico.

    Os produtos estão tornando-se digitais. As empresas estão tendo de ir muito além da reengenharia para repensar todos os seus processos. Muitas vezes tem de reformular o próprio negócio da empresa para sobreviver.

    As redes são o alicerce da economia digital e da Era da Inteligência na empresa. A Internet está emergindo como o meio de comunicação que interligará todos os computadores do mundo e por conseguinte as pessoas e suas empresas. Isto já se constitui numa revolução e essa revolução é democrática, pois a Internet não é uma tecnologia fechada, restrita a uns poucos países. Podemos dizer que o Brasil tem em mãos uma tecnologia em igualdade de condições aos países de primeiro mundo. E por enquanto apenas 2,5% da população tem acesso à rede.

    O mundo das telecomunicações e da informática esta convergindo maciçamente para a tecnologia da Internet. Outra revolução que promete ter impacto para a Internet é a tecnologia de fibras ópticas. Um cabo óptico transmite em uma hora todo o conteúdo da biblioteca do Congresso Americano.

    Segundo o economista Paulo Guedes "Antes era preciso uma Revolução Industrial para produzir um país como os Estados Unidos. Hoje, há uma dessas poucas oportunidades para o Brasil virar o jogo".

    A Internet é, antes de tudo, o exemplo maior da Nova Economia. Trata-se da economia do conhecimento, em que uma boa idéia pode transformar-se em empresa de um dia para outro. Trata-se finalmente, da economia da Era Digital, não mais da Era Industrial. Da Era da Internet.

    Ao analisar os modelos utilizados pelas empresas nos últimos anos percebemos que nenhum modelo isoladamente, irá aproximar a empresa tradicional da nova Empresa.

    Não podemos adotar um enfoque sistêmico de gestão, e deixar de lado aspectos de uma gestão inovática e empreendedora.

    Percebemos que a reengenharia possibilitou à empresa cortar seus custos e diminuir seus quadros tornando a empresa mais enxuta. Mas estas medidas tomadas de forma isolada podem ser muito prejudiciais para uma empresa que espera ser competitiva num mercado globalizado e veloz, que espera reações rápidas e sintonizadas com o mercado que muda a cada segundo.

    À medida que a nova economia começa a ganhar fôlego, empresas da maioria dos setores, precisam enfocar objetivos de crescimento e valor agregado, e não apenas redução de custo. O controle dos custos será importante sempre e em alguns setores, crucial para o sucesso competitivo.     Mas mesmo as empresas mais sensíveis ao fator custo, como o setor varejista, terão de alterar seus paradigmas - vendas pela internet por exemplo. Neste contexto não podemos empregar estas técnicas de gestão de forma isolada.

    Uma empresa é mais do que um grupo de processos, então o aperfeiçoamento dos processos é uma resposta inadequada aos desafios da nova economia. Fundamentalmente a nova economia exige que as empresas mudem seu modelo de negócio e a nova tecnologia possibilita essa mudança.

    De tudo isto podemos concluir que se faz necessária uma mudança fundamental nas empresas e a estratégia a ser adotada, depende do modelo de gestão adotado, do histórico desta empresa, de suas crenças e de suas atitudes.

    E apenas as empresas que se adaptarem a esta nova dinâmica da economia poderão sobreviver.

(*) Osvaldo Taveira é Analista de Sistemas da SISCORP