A
Empresa no contexto Tecnológico
Osvaldo
Taveira(*)
A
empresa está inserida num ambiente globalizado
e precisa estar preparada para interagir com esse
sistema de forma ágil e eficiente e uma das
ferramentas tecnológicas que permitem esta
interação é a Internet. O propósito
básico da informação é
o de habilitar a empresa a alcançar seus objetivos
pelo uso eficiente dos recursos disponíveis,
nos quais se inserem pessoas, materiais, equipamentos,
tecnologia , dinheiro, além da própria
informação. Dessa forma a empresa precisa
se adaptar a uma nova realidade, utilizando seus recursos
para reagir mais rapidamente aos desafios do mercado.
E
a tecnologia é uma ferramenta imprescindível.
É através dela que, as pessoas e departamentos
vão poder trocar informações
e conhecimento na velocidade da luz através
de suas redes de computadores.
A
empresa atual é eletrônica, virtual,
utiliza-se da informática e das telecomunicações,
como suas antecessoras utilizavam-se da máquina
de escrever e calcular.
Esta
tecnologia deve estar a serviço dos clientes
como dizem os gurus em administração.
Conectando a empresa a seus Clientes e Fornecedores
e permitindo monitorar seus clientes a cada passo.
A
inovação é outra característica
da nova empresa . Os clientes exigem das empresas
a melhor qualidade, o menor preço, produtos
ecológicos, rapidez, etc. Peter Drucker define
inovação como uma "mudança
que cria uma nova dimensão de desempenho".
Deve-se praticar um "abandono planejado"
e descartar programas que dão certo hoje mas
não darão no futuro.
A
empresa atual não espera necessariamente que
termine o ciclo de vida de seus produtos, ela se antecipa
a concorrência e mata seu próprio produto,
como fez a Motorola que usou um mecanismo de "Inovar
ou Morrer", com sua prática de cortar
linhas de produtos consolidados com um grande volume
de vendas , obrigando-se a preencher o vazio com novos
produtos, que corresponda as expectativas de seus
clientes. Para isso isso ela
necessita de informações atualizadas
que reflitam estes anseios.
Das
500 maiores companhias citadas pela revista Fortune
em 1955, 70% já não existem mais. Na
economia digital a concorrência vem de todos
os cantos.
Segundo
pesquisas , a organização apoiada na
Tecnologia da informação tem como principais
características :
Comunicação
Eletrônica e Contato eletrônico
Uso de e-mail e de ferramentas para
trabalho em grupo
Supervisão baseada na comunicação
eletrônica, com menos reuniões face
a face que em outras organizações.
Gerentes delegam tarefas e tomada de
decisões para seus subordinados e o sistema
disponibiliza as informações necessárias
para estas tomadas de decisões.
Alguns membros da organização
trabalham remotamente.
A infra-estrutura tecnológica
de uma organização deve-se apoiar
numa rede de computadores conectadas a outras redes
nacionais e internacionais, permitindo ainda a conexão
com clientes e fornecedores ou outras entidades
que se fizer necessário.
Uso intensivo dos recursos eletrônicos
para aumentar a produtividade e minimizar o uso
de papel, utilizando armazenamento óptico
de dados.
Uso de agentes de software para executar
uma variedade de tarefas sobre uma rede.
Uso da comunicação eletrônica
para dirigir tarefas focadas em um projeto específico.
A intensa ligação formada
com clientes e fornecedores aumentam a interatividade,
precisão e reduz o tempo e a quantia de retrabalho
quando as empresas fazem comércio uma com
as outras.
Esta ligação virtual permite
por exemplo no caso de reposição de
estoques, que um fornecedor supra as necessidades
da empresa de forma just-in-time, atuando como parceiros
no processo de produção.
A empresa atual é criativa por necessidade, os
mercados tornaram-se eletrônicos, e os produtos
quase que devem ser feitos sob medida. Já podemos
escolher as características de um Carro da GM
através da Internet, para que ele possa ser fabricado
sob encomenda para um cliente específico.
Os
produtos estão tornando-se digitais. As empresas
estão tendo de ir muito além da reengenharia
para repensar todos os seus processos. Muitas vezes
tem de reformular o próprio negócio da
empresa para sobreviver.
As
redes são o alicerce da economia digital e da
Era da Inteligência na empresa. A Internet está
emergindo como o meio de comunicação que
interligará todos os computadores do mundo e
por conseguinte as pessoas e suas empresas. Isto já
se constitui numa revolução e essa revolução
é democrática, pois a Internet não
é uma tecnologia fechada, restrita a uns poucos
países. Podemos dizer que o Brasil tem em mãos
uma tecnologia em igualdade de condições
aos países de primeiro mundo. E por enquanto
apenas 2,5% da população tem acesso à
rede.
O
mundo das telecomunicações e da informática
esta convergindo maciçamente para a tecnologia
da Internet. Outra revolução que promete
ter impacto para a Internet é a tecnologia de
fibras ópticas. Um cabo óptico transmite
em uma hora todo o conteúdo da biblioteca do
Congresso Americano.
Segundo
o economista Paulo Guedes "Antes era preciso uma
Revolução Industrial para produzir um
país como os Estados Unidos. Hoje, há
uma dessas poucas oportunidades para o Brasil virar
o jogo".
A
Internet é, antes de tudo, o exemplo maior da
Nova Economia. Trata-se da economia do conhecimento,
em que uma boa idéia pode transformar-se em empresa
de um dia para outro. Trata-se finalmente, da economia
da Era Digital, não mais da Era Industrial. Da
Era da Internet.
Ao
analisar os modelos utilizados pelas empresas nos últimos
anos percebemos que nenhum modelo isoladamente, irá
aproximar a empresa tradicional da nova Empresa.
Não
podemos adotar um enfoque sistêmico de gestão,
e deixar de lado aspectos de uma gestão inovática
e empreendedora.
Percebemos
que a reengenharia possibilitou à empresa cortar
seus custos e diminuir seus quadros tornando a empresa
mais enxuta. Mas estas medidas tomadas de forma isolada
podem ser muito prejudiciais para uma empresa que espera
ser competitiva num mercado globalizado e veloz, que
espera reações rápidas e sintonizadas
com o mercado que muda a cada segundo.
À
medida que a nova economia começa a ganhar fôlego,
empresas da maioria dos setores, precisam enfocar objetivos
de crescimento e valor agregado, e não apenas
redução de custo. O controle dos custos
será importante sempre e em alguns setores, crucial
para o sucesso competitivo. Mas
mesmo as empresas mais sensíveis ao fator custo,
como o setor varejista, terão de alterar seus
paradigmas - vendas pela internet por exemplo. Neste
contexto não podemos empregar estas técnicas
de gestão de forma isolada.
Uma
empresa é mais do que um grupo de processos,
então o aperfeiçoamento dos processos
é uma resposta inadequada aos desafios da nova
economia. Fundamentalmente a nova economia exige que
as empresas mudem seu modelo de negócio e a nova
tecnologia possibilita essa mudança.
De
tudo isto podemos concluir que se faz necessária
uma mudança fundamental nas empresas e a estratégia
a ser adotada, depende do modelo de gestão adotado,
do histórico desta empresa, de suas crenças
e de suas atitudes.
E
apenas as empresas que se adaptarem a esta nova dinâmica
da economia poderão sobreviver.
(*)
Osvaldo
Taveira é Analista de
Sistemas da SISCORP
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