Tecnologia
Social
(*)
Mauricio Ghetler
O
ano novo chegou com grandes mudanças. Mudamos
nossa classepolítica, teremos mudanças
econômicas internas e externas e, certamente,
a Tecnologia as acompanhará.
Em
2003 veremos o novo governo combatendo a exclusão
social como nunca. Nesta exclusão temos a
privação de diversos direitos essenciais
do cidadão, tais como os de acesso a moradia,
saúde, trabalho, transporte, segurança,
educação, informação
e crédito.
Muitos
menosprezam os dois últimos direitos citados
mas a exclusão digital e a exclusão
bancária também são importantes
problemas a ser combatidos, na medida que sua eliminação
facilita a evolução e participação
social do cidadão.
Para
que possamos eliminá-los, precisamos de Tecnologia.
No
caso da exclusão digital, todos acham que
já tem a resposta: Internet para todos! Infelizmente,
a Internet sozinha nada mais é que um canal
informativo genérico na medida que não
podemos saber precisamente quem está navegando
no computador...
Este
problema é grave pois não podemos
dirigir conteúdos, prestar diversos serviços
específicos do governo ou da iniciativa privada
e até mesmo praticar qualquer tipo de comércio
eletrônico.
A
não identificação positiva
remota também leva à exclusão
bancária. Hoje não podemos conceber
um relacionamento bancário, massificado e
a distância que não seja eletrônico.
Também não podemos conceber que os
custos da manutenção de contas correntes,
cartões de crédito e débito
sejam repassados para populações de
baixa renda que só desejam serviços
bancários eventuais ou acesso ao micro-crédito...
Como
resolver então estes dois problemas? Com
o uso da certificação digital.
Através
de um conceito plenamente aceito em nossa legislação
desde 2001 (vide MP 2200), podemos habilitar a identificação
positiva remota com um par de chaves assimétricas,
acomodadas, por exemplo, em Smart Cards. Isso não
é ficção científica,
está acontecendo através de várias
iniciativas governamentais (CEF, BB, Receita Federal)
que somente se intensificarão no novo governo
e em algumas iniciativas privadas.
Com
este novo cartão do cidadão,
as pessoas terão a condição
de assinar e se identificar digitalmente
de modo legal e eficiente. Isso as permitirá
participar de concursos e serviços públicos,
comercializar remota e seguramente, gerar documentação
eletrônica válida para todos os fins
de direito e também ter acesso a crédito
sem, necessariamente, possuir conta corrente ou
outro cartão caro de bandeira famosa
Muitos
cidadãos que não conseguem hoje participar
do mercado pelo custo da burocracia real poderão
fazê-lo com a nova burocracia virtual que
está chegando. Ela trará novos clientes
a muitos mercados, ajudando a eliminar tanto a exclusão
digital quanto a exclusão bancária.
A
maioria das pessoas acha que a certificação
digital trata apenas de tecnologia e que, mesmo
que vá para frente, não se disseminará
largamente nem afetará nossos negócios
em curto prazo. Pensaram do mesmo modo sobre o telefone,
fax, cartão bancário, Internet, celular...
Achavam que tais produtos eram luxos desnecessários
ao negócio e que nunca se disseminariam.
Os fatos comprovam o contrário: cada nova
tecnologia útil ao ser humano tem uma disseminação
maior e mais rápida!
Fica,
entretanto, uma pergunta no ar: sua empresa e
seus sistemas estão preparados para receber
este novo cidadão, estes novos negócios
e esta nova forma de contratação eletrônica?
(*)
Mauricio Ghetler é CIO do Banco Santos