Ano I - N° 3
Brasil, janeiro de 2003. 

Tecnologia Social

(*) Mauricio Ghetler

    O ano novo chegou com grandes mudanças. Mudamos nossa classepolítica, teremos mudanças econômicas internas e externas e, certamente, a Tecnologia as acompanhará.

    Em 2003 veremos o novo governo combatendo a exclusão social como nunca. Nesta exclusão temos a privação de diversos direitos essenciais do cidadão, tais como os de acesso a moradia, saúde, trabalho, transporte, segurança, educação, informação e crédito.

    Muitos menosprezam os dois últimos direitos citados mas a exclusão digital e a exclusão bancária também são importantes problemas a ser combatidos, na medida que sua eliminação facilita a evolução e participação social do cidadão.

    Para que possamos eliminá-los, precisamos de Tecnologia.

    No caso da exclusão digital, todos acham que já tem a resposta: Internet para todos! Infelizmente, a Internet sozinha nada mais é que um canal informativo genérico na medida que não podemos saber precisamente quem está navegando no computador...

    Este problema é grave pois não podemos dirigir conteúdos, prestar diversos serviços específicos do governo ou da iniciativa privada e até mesmo praticar qualquer tipo de comércio eletrônico.

    A “não identificação positiva remota” também leva à exclusão bancária. Hoje não podemos conceber um relacionamento bancário, massificado e a distância que não seja eletrônico. Também não podemos conceber que os custos da manutenção de contas correntes, cartões de crédito e débito sejam repassados para populações de baixa renda que só desejam serviços bancários eventuais ou acesso ao micro-crédito...

    Como resolver então estes dois problemas? Com o uso da certificação digital.

    Através de um conceito plenamente aceito em nossa legislação desde 2001 (vide MP 2200), podemos habilitar a identificação positiva remota com um par de chaves assimétricas, acomodadas, por exemplo, em Smart Cards. Isso não é ficção científica, está acontecendo através de várias iniciativas governamentais (CEF, BB, Receita Federal) que somente se intensificarão no novo governo e em algumas iniciativas privadas.

    Com este novo “cartão do cidadão”, as pessoas terão a condição de “assinar e se identificar digitalmente” de modo legal e eficiente. Isso as permitirá participar de concursos e serviços públicos, comercializar remota e seguramente, gerar documentação eletrônica válida para todos os fins de direito e também ter acesso a crédito sem, necessariamente, possuir conta corrente ou outro cartão caro de “bandeira famosa”

    Muitos cidadãos que não conseguem hoje participar do mercado pelo custo da burocracia real poderão fazê-lo com a nova burocracia virtual que está chegando. Ela trará novos clientes a muitos mercados, ajudando a eliminar tanto a exclusão digital quanto a exclusão bancária.

    A maioria das pessoas acha que a certificação digital trata apenas de tecnologia e que, mesmo que vá para frente, não se disseminará largamente nem afetará nossos negócios em curto prazo. Pensaram do mesmo modo sobre o telefone, fax, cartão bancário, Internet, celular... Achavam que tais produtos eram luxos desnecessários ao negócio e que nunca se disseminariam. Os fatos comprovam o contrário: cada nova tecnologia útil ao ser humano tem uma disseminação maior e mais rápida!

    Fica, entretanto, uma pergunta no ar: sua empresa e seus sistemas estão preparados para receber este novo cidadão, estes novos negócios e esta nova forma de contratação eletrônica?

(*) Mauricio Ghetler é CIO do Banco Santos